Eduardo Coelho
(to be continued...)


Havia um rei muito poderoso que sentia-se confuso. Resolveu então consultar os sábios do reino e disse-lhes:






"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar."
"Never been here - How about you?
"Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo." - Oscar Wilde
Escutar Fred Bongusto, comendo pão com azeite, um spaghetti vermelho de tomate, bebendo champanhe gelado, num restaurante em Veneza.
Diferente de muitos, eu gosto de chuva, gosto do frio e gosto da mulher com unhas vermelhas. Diferente de muitos, eu imagino que a combinação desses três pode fazer uma noite perfeita.
Eu tenho uma visão cinematográfica das coisas. Uma capacidade enorme de saber o ângulo, a cor e o plano. Mesmo em lugares que nunca estive; lugares que nem existem. De imaginar do alto, de lado, de longe, de perto. Fechado. Aberto. De escolher a música e fazer uma trilha sonora boa. Se de repente me der um branco, sei que vou lembrar depois: "Aquela!". E imagino pessoas. Gosto de imaginar as pessoas.
Eu quero um amor gostoso. Não precisa de café na cama, mas um sorriso leve, deitados, com os olhos remelados - "Bom dia!" - É mais ou menos isso que eu quero. Dedão no dedão. Trocar tudo por um sofá, uma caixa de Biss e play no DVD. Sentir no terceiro encontro que estou completamente apaixonado. Escutar um cd inteiro em cinco segundos, se perguntar "que cheiro é esse?" e voltar pra casa abobado. E amanhã? Amanhã vai ser ainda melhor.